domingo, 24 de fevereiro de 2013

Educar, para quê?












Ao longo da história da humanidade percebemos um processo de formação das pessoas onde os mais velhos ensinam aos mais novos os seus costumes, os seus valores, as suas regras de convivência, enfim todos elementos necessários para que aquele que ora passa a integrar o grupo possa efetivamente contribuir com o desenvolvimento da sociedade em questão e em breve possa igualmente reproduzir nos seus descendentes os costumes, valores e regras do seu momento histórico. Esse processo pode ser compreendido como educação ao lembrarmos do sociólogo francês Émile Durkheim que afirmava que, "A educação tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança estados físicos e morais que são requeridos pela sociedade política no seu conjunto", e a partir do aprimoramento de tais estados esta criança adentra a maioridade com total plenitude de participação nas dimensões social, política, econômica e religiosa.

De fato inúmeras mudanças ocorridas nas relações humanas estão diretamente vinculadas aos processos educacionais que foram empreendidos em dados momentos históricos, evidenciando que a educação funciona como o agente garantidor do modus vivendi das sociedades. É certo também que vários podem ser os motivos provocadores das mudanças, indo dos clamores populares oriundos de uma revolução até a vontade pessoal e indômita de um governante desequilibrado. O ponto pacífico é que seja de uma forma ou de outra para que a sociedade possa intervir positiva ou negativamente na construção do caráter e da personalidade dos indivíduos terá que fazê-lo por meio da educação.

Assim temos a Paidéia grega, com os ensinamentos de lógica, história, política, retórica e filosofia, a educação indígena que buscava garantir o domínio das habilidades para viver adequadamente no ambiente, para manusear os instrumentos de caça, pesca e guerra, e a compreensão dos ritos e mitos religiosos, podemos citar ainda a educação medieval com o ensino das sete artes liberais e o seu objetivo precípuo fundado no aperfeiçoamento moral para a elevação do espírito, não esquecendo de preservar o controle da igreja sobre o pensamento da época.

Então, observando alguns momentos e aspectos da história, quer seja recente quer seja remota, identificamos minimamente um controle do quê, por quê e para quê educar, mesmo que tais propósitos não estivessem tão claros ou fossem obtidos de modo tão efetivo. Tornando-se significativo aqui a condição da sociedade de saber onde se quer chegar pois parafraseando Lewis Carroll em Alice no País da Maravilhas, “Quem pouco se preocupa aonde ir, pouco importa o caminho que vai seguir”.

Destarte levantamos algumas questões, a saber, Aonde pretendemos ir? A que lugar queremos chegar? Pois parece-me que só poderemos chegar ao entendimento de qual o papel da educação atual, ao passo que elegermos o nosso eldorado. A educação é o caminho que nos conduzirá suave ou tortuosamente ao objetivo que socialmente escolhemos para nós e nossos filhos.

Reavaliando então as indagações expostas entendemos que o correto a ser elucidado é, Em que mundo queremos viver? Conduzimo-nos a um estado de coisas onde o TER é mais importante e necessário que o SER, onde o consumo desvairado impede de perceber o que precisa se preservado, onde o prazer efêmero conta mais que a satisfação duradoura, onde uma curtida no Face ou uma twitada importa mais que um longo e terno abraço.

Nós adultos por ocasião estamos “educando” nossos meninos e meninas para estarem cada vez mais longe uns dos outros ainda que fisicamente estejam próximos, viciados e encantados com as maravilhas tecnológicas, iludidos pelo entretenimento e desiludidos com a materialidade da vida.

Se nós já não sabemos mais para onde vamos, é porque já esquecemos também quem somos.

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